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Eleições em SP: o que cabe ao governo do estado na Educação

Eleições 2026: melhorar o Ensino Médio é desafioi do próximo governador Todos os dias, antes das 6h, o diretor César Augusto Cândido Xavier abre pessoalm...

Eleições em SP: o que cabe ao governo do estado na Educação
Eleições em SP: o que cabe ao governo do estado na Educação (Foto: Reprodução)

Eleições 2026: melhorar o Ensino Médio é desafioi do próximo governador Todos os dias, antes das 6h, o diretor César Augusto Cândido Xavier abre pessoalmente os portões da Escola Estadual Alexandre de Gusmão, no Ipiranga, Zona Sul de São Paulo. Para muitos estudantes, o gesto parece simples. Mas faz parte de uma estratégia para manter os jovens dentro da escola em uma etapa da vida em que o abandono escolar aumenta. "Eu acho que é importante ver o diretor porque você também pensa que a escola está contigo", diz o estudante Luiz Vinícius Feitosa da Silva, de 17 anos. Prédio da Secretaria Estadual da Educação, na Praça da República, Centro de São Paulo. Divulgação/Seduc-SP O acolhimento é apenas uma das ações adotadas pela unidade. Quando um aluno falta três vezes sem justificativa, por exemplo, a escola envia telegramas para tentar entender o que aconteceu e evitar a evasão. O resultado é uma taxa de presença de cerca de 90% na unidade. A preocupação não é à toa. É justamente no ensino médio, responsabilidade dos governos estaduais, que se concentram alguns dos principais desafios da educação pública paulista. A rede estadual de ensino de São Paulo é a maior do Brasil. São cerca de 3 milhões de alunos distribuídos por mais de 5 mil escolas presentes nos 645 municípios paulistas. Educação é o tema da quinta reportagem da série especial do g1 e do SP2 sobre as eleições. Ao longo das próximas semanas, as reportagens mostram como decisões tomadas pelo governo estadual afetam diretamente a vida dos paulistas em áreas essenciais. Saiba qual é o o papel do governo do estado nas áreas que mais preocupam o eleitor de SP Afinal, o que é responsabilidade do governo do estado? A educação pública é dividida entre estados e municípios. De forma geral, as prefeituras concentram os atendimentos na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. Já o governo estadual é responsável principalmente pelos anos finais do fundamental, do 6º ao 9º ano, e pelo ensino médio. É justamente nessa fase que surgem os maiores desafios. Os indicadores mostram que as notas dos alunos caem, a evasão cresce e milhares de estudantes deixam a escola antes da conclusão dos estudos. Neste ano, a rede estadual paulista teve cerca de 100 mil matrículas a menos do que em 2022. Ao mesmo tempo, aproximadamente 38 mil estudantes abandonaram as salas de aula. Estudantes do ensino médio em sala de aula Flávio Florido/EducaçãoSP O desafio de manter o jovem na escola Para especialistas, uma das maiores dificuldades é fazer com que a escola continue sendo atraente para adolescentes que já convivem com outras responsabilidades. Muitos precisam trabalhar, ajudar nas despesas da família ou cuidar de parentes. Foi o caso de Lidia Maria Lins Zanini Cordeiro. Ela deixou a escola antes de concluir o ensino médio para cuidar de um familiar doente. Só conseguiu retomar os estudos três décadas depois, por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Hoje, Lidia quer que os filhos tenham uma trajetória diferente. "Sem estudo a gente não chega em lugar nenhum. Demorou um tempo para eu aprender, mas aprendi. Vou passar essa lição para os meus filhos para eles não sofrerem tudo o que eu sofri", afirma. Saresp: ensino fundamental tem recorde em matemática, mas ainda não recuperou português Aprender continua sendo um desafio Além de manter os alunos matriculados, o estado enfrenta o desafio de garantir que eles aprendam. Os indicadores de desempenho mostram dificuldades persistentes em disciplinas básicas. Em 2013, apenas 6% dos estudantes do ensino médio apresentavam nível aprendizado adequado em português e matemática. O índice chegou a 7% em 2019, mas caiu para 4% na medição mais recente. Na Escola Alexandre de Gusmão, uma das estratégias para enfrentar o problema é identificar precocemente os alunos com dificuldades. A unidade aplica avaliações diagnósticas para mapear defasagens e criar planos de recuperação. "A equipe gestora se reúne com a equipe pedagógica para identificar onde o aluno tem dificuldade e traçar estratégias", explica o diretor César. Dados do Saresp mostram evolução consistente em matemática; por outro lado, português ainda não alcançou patamar pré-pandemia Reprodução/TV Globo O que especialistas apontam como prioridade Para Ivan Gontijo, gerente de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, os próximos anos exigirão foco em três grandes frentes. A primeira é a recuperação da aprendizagem, especialmente após anos de dificuldades acumuladas pelos estudantes. A segunda é a ampliação do ensino em tempo integral. A terceira é a expansão dos cursos técnicos. Segundo ele, o ensino médio é a etapa mais desafiadora da educação básica porque reúne os piores indicadores de aprendizagem e os maiores índices de abandono escolar. "O estudante precisa enxergar que a escola vai ajudá-lo em seu projeto de vida", afirma. Quando a escola se aproxima do mercado de trabalho Uma das apostas da rede estadual para enfrentar esse desafio é a ampliação dos cursos técnicos. Na Escola Alexandre de Gusmão, os cursos ligados à área da saúde começaram em 2023. Laboratórios foram reformados e passaram a receber aulas práticas de enfermagem e farmácia. O objetivo desses cursos é aproximar os jovens do mercado de trabalho e tornar a permanência na escola mais atrativa. O papel dos professores Especialistas também apontam que melhorar a educação passa necessariamente pela valorização dos profissionais da área. Para Ivan Gontijo, nenhuma política educacional funciona sem professores preparados, bem remunerados e com oportunidades de formação continuada. "Não adianta desenhar várias políticas e mandar recursos para as escolas se os profissionais mais importantes não estiverem preparados para o atendimento direto aos estudantes", afirma.